José Nogueira teria doze ou treze anos quando trocou as margens do Douro por um convés de navio. Como milhares de outros portugueses atirou-se ao Atlântico para fugir à miséria daqueles meados do século XIX que ainda havia de sangrar muitas outras gerações. Fez-se marinheiro nos oceanos, homem nas ruas do Rio de Janeiro, caçador de lobos-marinhos no Pacífico Sul. Teria dezanove ou vinte anos quando decidiu lançar amarras numa terra gelada e varrida por ventos do diabo, sem serventia que se visse. Essa terra era Punta Arenas, para lá do paralelo 53 Sul, na margem norte do estreito que já levava o nome de outro português, o de Magalhães. Foi nesta desolada terra de aventureiros, desterrados, índios, caçadores, deserdados e imigrantes, um território de fronteira que já somava tragédias, que «o Português» construiu casa e fortuna e se tornou «Don José». Esta não é uma história baseada em factos reais. Esta é a história da vida de José Nogueira, marinheiro e terratenente. E é quase toda verdadeira. «Depois de Fernão de Magalhães e da dúzia de compatriotas que levou com ele na pequena frota de cinco naus que desceu o Guadalquivir para dar a volta ao mundo, outros navegantes portugueses chegariam ao estreito […]. Séculos mais tarde chegariam outros. Um deles, o primeiro a assentar arraiais no estreito seria um marinheiro, também ele com oito anos de vida nómada num convés de navio. Não era nenhum Magalhães, nem nenhum Gama, Dias ou Cabral […]. Mas vá-se lá saber o que molda as escolhas de um homem. Ele era um simples marinheiro, nem melhor nem pior do que qualquer outro, e talvez tivesse apenas chegado o momento de procurar um rumo com menos balanço e sob o seu próprio comando.» Do Prólogo
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